Meu dia-a-dia...June 24, 2006 7:03 pm

… Que eu não posso exigir o amor de ninguém, posso apenas dar boas razões para que gostem de mim e ter paciência, para que a vida faça o resto.

… Que não importa o quanto certas coisas são importantes para mim, tem gente que não dá a mínima e eu jamais conseguirei convencê-las.

…Que posso passar anos construindo uma verdade e destruí-la em apenas alguns segundos.

EU APRENDI…

… Que posso usar meu charme por apenas 15 minutos, depois disso, preciso saber do que estou falando.

… Que posso fazer algo em um minuto e ter que responder por isso o resto da vida.

… Que por mais que você corte um pão em fatias, esse pão continua tendo duas faces, e o mesmo vale para tudo o que cortamos em nosso caminho.

EU APRENDI…

… Que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser, e devo ter paciência.

… Que posso ir além dos limites que eu próprio coloquei.

… Que eu preciso escolher entre controlar meus pensamentos ou ser controlado por eles.

EU APRENDI…

… Que os heróis são pessoas que fazem o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que sentem.

… Que perdoar exige muita prática.

… Que há muita gente que gosta de mim, mas não consegue expressar isso.

EU APRENDI…

… Que nos momentos mais difíceis, a ajuda veio justamente daquela pessoa que eu achava que iria tentar piorar a minha vida.

… Que eu posso ficar furioso, tenho o direito de me irritar, mas não tenho o direito de ser cruel.

… Que jamais posso dizer a uma criança que seus sonhos são impossíveis, será uma tragédia para o mundo se eu conseguir convencê-la disso.

EU APRENDI…

… Que meu melhor amigo vai me machucar de vez em quando, que eu tenho que me acostumar com isso.

… Que não é o bastante ser perdoado pelos outros, eu preciso me perdoar primeiro.

… Que, não importa o quanto meu coração esteja sofrendo, o mundo não vai parar por causa disso.

EU APRENDI…

… Que as circunstâncias de minha infância são responsáveis pelo que eu sou, mas não pelas minhas escolhas que eu fiz quando adulto.

… Que numa briga, eu preciso escolher de que lado estou, mesmo quando não quero me envolver.

… Que, quando duas pessoas discutem, não significa que elas se odeiem; e quando duas pessoas não discutem não significa que elas se amem.

… Que por mais que eu queira proteger os meus filhos, eles vão se machucar e eu também serei machucado, isso faz parte da vida.

… Que minha existência pode mudar para sempre em poucas horas, por causa de gente que eu nunca vi antes.

… Que diplomas na parede não me fazem mais respeitável ou mais sábio.

EU APRENDI…

… Que as palavras de amor perdem o sentido, quando usadas sem critério.

… Que certas pessoas vão embora de qualquer maneira.

… Que é difícil traçar uma linha entre ser gentil, não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas em que acredito.

EU APRENDI…

… Que amigos não são para guardá-los no peito, e sim para mostrá-los que são seus amigos.

VIVA BEM! VIVA SEMPRE O MELHOR POSSÍVEL!!!

Meu dia-a-dia... 7:01 pm

Desci aos infernos e vi que existem demônios. Há anjos também, dentro de nós! Vi que não são tão feios como os pintam, os chifres desses demônios. Dá para encarar de frente e segurar pelos chifres!

Ouvi um dia que “a religião é para aqueles que têm medo de ir para o inferno… e espiritualidade é para aqueles que já estiveram lá!”.

Aprendi que assim se faz verdade quando, descendo ao mais fundo do poço, sentimos nosso nome escrito na palma da mão carinhosa de um Deus Pai e Mãe, que de lá nos resgata para uma vida mais humana, quando nos descobrimos amados do jeito que somos!

Andei com São Jorge enfrentando os dragões e muitos matei, mas sempre ressurgiam mais fortes. Me dei melhor com Santa Marta, que deu conta de domesticar seu dragão e ele se tornou guarda-costas para ela. Aí me lembrei de São Paulo e entendi porque é que ‘quando sou fraco é que sou forte’…

Vi aquele velho sábio acalmar o povo na beira da praia, antes apavorado com o monstro que do mar subia todo o final de tarde e causava pânico na aldeia; e quando o velho sábio conseguiu que o povo, sentado à beira da praia, olhasse o monstro emergindo e dele falasse, o monstro sumiu por onde tinha surgido, porque os fantasmas existem enquanto neles acreditamos e por ele nos deixamos oprimir, até que, enfrentados, eles somem!

Vi aquele homem ficando cego e caindo no desespero quando a cegueira tomou conta dele definitivamente. Ouvi seu lamento e sua revolta, do fundo de sua mágoa com a vida; e vi um dia esse velho homem colocar a mão no ombro da cegueira e abraça-la…e nesse dia, embora continuando cego, seu rosto voltou a sorrir.

Compreendi o enigma de Carl Jung, quando dizia que ‘o ser humano não se torna iluminado ao imaginar figuras de luz, mas ao conscientizar-se da escuridão’ e ouvi Caetano Veloso cantando na rádio que ‘cada um sabe a dor e a alegria de ser o que é’…

Dediquei-me à arte de domesticar dragões e alguns dei conta de domesticar, embora um dragão sempre seja um dragão e sempre carregue em si uma ameaça que pode emergir a qualquer momento. Isso me fez pensar que sempre é bom estar com ‘um olho no gato e outro no peixe’, e depois me lembrei novamente do grande psicólogo Paulo de Tarso, graduado na escola do amor de Deus, quando dizia que ‘quem está de pé, cuide para não cair e quem caiu, de se levantar’!

Andei um tempo na companhia daquele velho monge que vivia mudando de convento, por nunca se sentir bem e perceber que ao fim de um tempo suficiente, tudo ia mal. E um dia vi um monge assustado, quando depois de arrumar a mala para se mandar em busca de novo convento, ouviu um estranho dizer do fundo de seu quarto: ‘eu sou o seu Ego…e se você está fugindo de mim, não adianta, porque para onde você for eu também vou’!

Essa andanças me ensinaram que o problema não são os problemas, mas a maneira como encaramos os problemas! E depois percebi que ‘crescer é substituir um conjunto de problemas por outro conjunto melhor de problemas’. Foi bom encontrar essa resposta, para entender que a pessoa madura continua tendo problemas e o amadurecimento significa tão somente que aprendeu a lidar com eles.

Nunca engoli direito aquele conselho do ‘sede perfeitos como o Pai do Céu é perfeito’, por não entender como poderia Ele querer perfeito o que Ele mesmo havia criado de barro… mas depois me traduziram essa frase por ‘sede santos como o Pai do Céu é santo’ e explicou, a própria vida, que ser santo é bem diferente de ser perfeito! Aí me lembrei de grandes santos, conscientes de sua santidade e ao mesmo tempo se confessando grandes pecadores! Perfeitos não seriam, por terem a imperfeição do pecado; mas eram santos, por assumirem suas fraquezas e no meio delas se experimentarem profundamente amados por Deus. Ficou então combinado como coisa aceita e clara, que perfeição era esforço nosso e ilusão de super-homem, enquanto santidade era ação de Deus em nós! E nessas idas e voltas, no meio de trevas e luz, Deus me ensinou o enigma do caminho de ser: crescer é descer e para ser mais é preciso ser menos!

Concordei então que era bom ser humano…pois até o próprio Deus achou bom tornar-se humano! Li no livro do Eclesiastes que não adianta a gente querer endireitar o que o próprio Deus criou torto.. e aí aprendi a ver a beleza que há na imperfeição e a perfeição que mora no limitado!

Comi o pão que o diabo amassou, mas acabei descobrindo, no meio de suor e de lágrimas, que não adianta viver mendigando dos outros ou das situações ou daquilo que fazemos, o amor e a segurança e o reconhecimento que só nós mesmos poderemos nos dar; ou aceitar gratuitamente ao nos deixarmos mergulhar na experiência do amor de Deus.

No meio de muita prosa, encontrei um verso de Fernando Pessoa dizendo assim: ‘ a criança que fui chora na estrada. Deixei-a ali quando vim ser quem sou; mas hoje, vendo que o que sou é nada, quero ir buscar quem fui onde ficou’! E achei lindo, como o caminho a ser feito cada dia, sabendo que ‘o caminho se faz caminhando’!

Um dia alguém me disse que há duas regras de bem viver: a primeira reza que não devemos nos preocupar com as coisas pequenas e a segunda decreta que todas as coisas são pequenas!

Acabei aceitando, não sem antes ter resistido muito, que vemos os outros não como eles são, mas como somos e que há alguma coisa errada se estamos sempre certos!

Quando fui conhecendo aos poucos um pouco do mistério que eu sou, entendi que não devemos exaltar nossos ‘dons’ nem dramatizar nosso ‘pecado’. Cansei de ouvir Zé Ramalho cantando que ‘sentimento amordaçado volta a incomodar’ e depois aprendi que todo o sentimento é lícito: a maneira de canalizá-lo é que pode ser adequada ou não… e aí São Paulo deu pitaco novamente, dizendo que, ‘se estiveres com raiva, toma cuidado para não cair em pecado’. Experimentei que deixar fluir os sentimentos que incomodam e dar-lhes nome e expressão… é segredo para viver em paz cá dentro deste mundo encantado. Acabei encontrando mais um velho pergaminho do apóstolo Paulo, dizendo que somos vasos de argila carregando um tesouro, e ouvi o salmista cantando que Deus sabe de que barro somos feitos e se lembra que apenas somos pó.

E no meio desse barro frágil e cheio de rachaduras, encontrei um velho contrato que eu mesmo assinei ao nascer e vi nele duas cláusulas que me chamaram atenção, por quase sempre as ter ignorado: os problemas e os reveses fazem parte da vida, assim como os altos e baixos; por sermos humanos, somos imperfeitos e falíveis, vulneráveis e frágeis. Essa coisa de sermos imperfeitos ainda me deixou encucado durante um bom tempo, mas um dia acordei feliz por descobrir que ao dizer que somos imperfeitos, falamos também que somos aperfeiçoáveis.

Me contaram que Maomé havia dito: ‘se te conheces a ti mesmo, conheces a Deus’! E lembrei que também Tereza de Ávila falou que ‘a melhor maneira de se chegar ao conhecimento de Deus é através do conhecimento de si mesmo’!

E enquanto termino estas divagações pelas minhas memórias, ouço ao pé de meu ouvido Belchior cantando que ‘viver é melhor que sonhar’… e me lembro que Milton Nascimento também canta ‘ já não sonho, hoje eu faço com meu braço meu viver’. Mas, eis que de repente, me veio lá da fonte uma vontade de implicar, dizendo que ninguém vive sem sonho e que o sonho, se é para ser sonho, que seja grande! No mesmo canto ouvi dizer que ‘qualquer canto é menor que a vida’, mas lembrei de outro poeta dizendo que ‘o sonho comanda a vida e sempre que a gente sonha o mundo cresce e avança’…

Hoje eu não brinco de ser Deus, invulnerável e onipotente; mas assumo que sou humano e isso me ensinou que o ser humano tem asas e é capaz de voar, sem tirar os pés da terra e do barro de que é feito!

…Mas, para chegar e voar, foi preciso ter descido aos infernos!

Meu dia-a-dia... 6:57 pm

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.

Mas o que mais dói é a saudade.

Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade.Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.

Doem essas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.

Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter. Saudade é basicamente não saber. Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio. Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia. Não saber se ela ainda usa aquela saia. Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada; Se ele tem assistido as aulas de inglês, se aprendeu
a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial; Se ela aprendeu a estacionar entre dois carros; Se ele continua preferindo Malzebier; Se ela continua preferindo suco; Se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados; Se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor; Se ele continua cantando tão bem; Se ela continua detestando o MC Donald’s; Se ele continua amando; Se ela continua a chorar até nas comédias.

Saudade é não saber mesmo!

Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos; Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento; Não saber como frear as lágrimas diante de uma música; Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer. É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso… É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.

Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer. Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler…

Miguel Falabella.

Meu dia-a-dia... 6:55 pm

Um grande brinde à vida e a cada sonho que surge todos os instantes. Vamos celebrar a vida em sua plenitude e vivê-la sem medo, bebendo suas dádivas e sorrir sem remorso por ter tentado ser feliz. Vamos entoar um hino em homenagem à luz e absorver seu brilho, como uma planta sedenta acolhe a água da chuva que cai aos seus pés.

Vamos fazer das lágrimas que rolam em nossos rostos pedras preciosas que brilham e iluminam nossos olhos. Vamos fazer de cada espinho, a esperança de encontrar uma rosa e de cada dor a possibilidade de um sorriso. Vamos encarar a vida como um presente que deve ser desfrutado e não como um fardo a ser carregado. Vamos usufruir da nossa felicidade, que ela é de graça e só a nós pertence. E não vamos deixar que nos cobrem por ela.

Vamos sorrir sem medo de mostrar ao mundo que somos felizes porque não há pecado algum em saber aproveitar os presentes que os céus nos dão todos os dias.